(de David Freeman e Joseph Hughes, por Annie Lennox)
11 Novembro 2009
(de David Freeman e Joseph Hughes, por Annie Lennox)
08 Novembro 2009
ONE CERTAINTY
(Christina G. Rossetti - tradução de Rodrigo V. Pinheiro)
Vaidade das vaidades! Tudo é vaidade! —
--Diz o Pregador. Não podem olhos e ouvidos
--Se satisfazer com o que é visto e ouvido.
Como o orvalho primeiro ou a brisa que evade,
Ou como a grama que emurchece, é o homem,
--Um brinquedo nas mãos da esperança e do medo:
--Pouca alegria ele tem, quase nunca é ledo,
Até a hora em que, no pó, todas as coisas somem.
O dia de hoje é ainda o mesmo de ontem,
--Um desses dias é também o de amanhã,
E não há novidade alguma sob o sol:
Até o fim da corrida do Tempo anciã,
--É certo que os espinhos ainda despontem,
Que a manhã seja fria, e gris seja o arrebol.
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01 Novembro 2009
(John Everett Millais)
A imagem acima pertence ao website de uma exposição de Millais realizada na Tate Britain. Quem quiser ver A menina cega de perto — e, como eu, não pode ir por enquanto à Inglaterra — deve visitar a página que a Galeria de Arte de Birmingham preparou para esse quadro, que é uma das muitas obras de Millais presentes em sua coleção. Lá eu descobri que os olhos da menina cega são azuis e que há um papel logo abaixo de seu pescoço com a mensagem "PITY THE BLIND". As obras de Millais e de outros pintores pré-rafaelitas localizadas em Birmingham podem ser admiradas e examinadas no impecável Pre-Raphaelite Online Resource.
27 Outubro 2009
The Odyssey
(Homero - tradução de William Cowper)
[…] I, ardent wish'd to clasp the shade
Of my departed mother; thrice I sprang
Toward her, by desire impetous urged,
And thrice she flitted from between my arms,
Light as a passing shadow or a dream.
Then, pierced by keener grief, in accents wing'd
With filial earnestness I thus replied.
--My mother, why elud'st thou my attempt
To clasp thee, that ev'n here, in Pluto's realm,
We might to full satiety indulge
Our grief, enfolded in each other's arms?
Hath Proserpine, alas! Only dispatch'd
A shadow to me, to augment my woe?
--Then, instant, thus the venerable form.
Ah, son! Thou most afflicted of mankind!
On thee, Jove's daughter, Proserpine, obtrudes
No airy semblance vain; but such the state
And nature is of mortals once deceased.
For they nor muscle have, nor flesh, nor bone;
All those (the spirit from the body once
Divorced) the violence of fire consumes,
And, like a dream, the soul flies swift away.
But haste thou back to light, and, taught thyself
These sacred truths, hereafter teach thy spouse. [...]
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22 Outubro 2009
Mário Faustino (sem exageros)
(Mário Faustino)
Necessito de um ser, um ser humano
Que me envolva de ser
Contra o não ser universal, arcano
Impossível de ler
À luz da lua que ressarce o dano
Cruel de adormecer
A sós, à noite, ao pé do desumano
Desejo de morrer.
Necessito de um ser, de seu abraço
Escuro e palpitante
Necessito de um ser dormente e lasso
Contra meu ser arfante:
Necessito de um ser sendo ao meu lado
Um ser profundo e aberto, um ser amado.
Há 79 anos nascia um gênio; aquele que teria se tornado o maior poeta brasileiro do século 20 se não tivesse morrido tão cedo. Mário Faustino foi um artista que eu escolhi para ser meu professor, e neste blog ele será sempre lembrado.
Na página Poesia-Experiência, organizada por Faustino entre 1956 e 1958 no Jornal do Brasil, via-se, junto ao título, o princípio que ele próprio parecia seguir — "repetir para aprender, criar para renovar".
Soneto II é um poema que eu faço questão de ter por inteiro na memória, talvez pelo fato de ele poder se transformar em uma oração.


