10 Outubro 2008

ON A TREE FALLEN ACROSS THE ROAD
(Robert Frost)

(TO HEAR US TALK)

The tree the tempest with a crash of wood
Throws down in front of us is not to bar
Our passage to our journey's end for good,
But just to ask us who we think we are

Insisting always on our own way so.
She likes to halt us in our runner tracks,
And make us get down in a foot of snow
Debating what to do without an axe.

And yet she knows obstruction is in vain:
We will not be put off the final goal
We have it hidden in us to attain,
Not though we have to seize earth by the pole

And, tired of aimless circling in one place,

Steer straight off after something into space.
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Chego enfim a Robert Frost; com um estímulo de W. H. Auden. "Oh, eu aprendi muito com Frost. Cheguei a ele cedo. Porque, quando eu estava na escola, me interessei por um poeta inglês que havia sido morto na 1ª Guerra Mundial chamado Edward Thomas. Eu descobri que Thomas fora convencido a escrever poesia, já tarde na vida, por Frost; então pensei que deveria conhecer Frost. Comprei algo dele quando ele realmente nem era muito conhecido, e eu sempre admirei muitíssimo a sua obra." (em An hour of questions and answers with Auden).

No poema acima, Frost nos alerta talvez para o mesmo problema que Bruno Tolentino mencionou em suas últimas aulas: "Temos de resolver como organizar o país, como vamos fazer uma literatura fabulosa, se vamos fazer etanol de milho ou de beterraba... E, com tanta coisa séria para fazer, lá vem essa velha e não sabemos direito o que ela quer." (ver Dicta&Contradicta). Pois é! Não duvido de que essa velha, que Tolentino diz ser a santidade, tenha sido responsável pela queda da árvore na estrada. Ou a árvore caída, obstruindo a passagem e nos obrigando a pensar no que fazer sem um machado (verso 8), é a própria velhinha. Para Bruno Tolentino, ela "não nos pergunta nada"; mas pergunta sim — em primeiro lugar, quem nós pensamos que somos (v. 4). E nós, de fato, estamos sempre muito ocupados para responder essa pergunta. Muitas vezes nem a ouvimos, porque a necessidade de chegar a algum lugar se aprofunda tanto em nós (hidden in us to attain) que também é capaz de obstruir. Nesse jogo de obstruções, quais são os perdedores e os vencedores?